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Bahia 0 x 1 Vila Nova – Análise

Há certas afirmativas no mundo do futebol que são contadas uma quantidade absurda de vezes,tornando-se uma realidade factível para a maioria dos aficionados por este esporte. De fato, esses discursos não estão distantes do nosso cotidiano. Verdades absolutas são propagadas e as aceitamos com um sentimento de complacência, enquanto as críticas, comumente, são forjadas pelo momento o qual nos encontramos.

O Esporte Clube Bahia optou pela demissão do treinador Doriva, pois o mesmo não atingiu uma suposta meta de pontuação no campeonato brasileiro da série b, ou seja, baseou o seu critério apenas nos resultados a negligenciar todos os outros aspectos que envolvem o futebol: modo de jogar, filosofia do clube, posicionamento de mercado, etc. Porém, existe um paradigma no futebol que diz o seguinte: “É mais fácil trocar UM do que os ONZE”. Quem nunca escutou essa frase? Acredito que a queda do antigo técnico, mesmo que inconsciente, tenha flertado com esta regra datada do século XIX. parafraseando o amigo Matheus Buente “ESTAMOS ATRASADOS MAIS DE CEM ANOS. PARABÉNS! “.

Por outro lado, o “fato novo”, outro modelo arcaico, esperado pela chegada do novo treinador não aconteceu e a meta estipulada pela diretoria ainda não foi alcançada. O que fazer? Inverter a lógica do pensamento retrógrado! “É mais fácil trocar UM do que os ONZE”, por “É mais fácil dispensar ONZE do que trocar UM”. Óbvio que existe um exagero na frase citada anteriormente, mas a assertiva apenas fortalece os deslizes da diretoria nessa temporada.

E teve um jogo? Sim!

Vamos aos lances!

1

Talvez a imagem acima represente o jogo do Bahia ante o Vila Nova. A equipe esteve muito distante em todos os momentos do jogo.

Observem, nas duas setas pretas, o quão espaçado estão os setores do time baiano. Vejam ainda, no destaque em azul, a figura do lateral esquerdo a estar sempre afastado da última linha defensiva, causando danos a organização defensiva da sua equipe.

2  3

Problema crônico do Tricolor de Aço é a saída de bola. Constatem na primeira imagem, em destaque azul, como os jogadores estão em linha, sem criar linhas de passe ao portador da bola. As setas em azul indicam o deslocamento que eles, os jogadores, poderiam efetuar para facilitar o trabalho de quem detém a esférica. Observem ainda, no canto da imagem, a opção equivocada pelo deslocamento em profundidade do meio campista tricolor, ao invés de explorar (deslocamento certo evidenciado pela seta preta) os espaços entre as linhas oferecidos (destaque em “X”) pelo time de Goiás. Dessa maneira o defensor do time mandante é estimulado a dar um passe longo (seta amarela) em condição desconfortável para o jogador Tricolor.

A sequência do lance está no segundo quadro, revelando a perda da posse pelo Bahia. Notem, mesmo com uma organização defensiva desajustada, o colorado do centro oeste coloca muitos jogadores próximos ao centro do jogo – 9vs4.

4 5

Atentem para o “X” na primeira figura, ele exibe o grande espaço entre os setores do Tricolor Baiano a facilitar a exploração das costas da defesa do time de Salvador, MESMO COM DOIS JOGADORES EM ORGANIZAÇÃO OFENSIVA. Constatem mais uma vez, no destaque em azul, o atraso do lateral esquerdo para recompor a linha defensiva.

Na segunda ilustração, em destaque vermelho, após o erro do zagueiro tricolor, o atacante adversário fica no 1vs1 contra o goleiro Jean que faz uma bela defesa. No canto da imagem, em destaque branco, um avançado do Vila Nova está a explorar o espaço concedido pelo defensor esquerdo do Esquadrão.

7

Diante do Ceará parecia nascer o modo Guto Ferreira de jogar, mas eu estava enganado. A imagem acima demonstra o inverso que acontecera no jogo anterior, onde a equipe pressionara o portador da bola em toda a parte do campo. No lance contra o Vila Nova, Hernane está isolado a tentar causar problemas para defesa do oponente, o que não gerou um resultado positivo.

8

Para premiar uma partida desastrosa, o gol.

Os erros cometidos neste lance não podem acontecer em equipes que disputam a segunda divisão de um escalão nacional.

Verifiquem na linha preta, em destaque na grande área, como a defesa tricolor posiciona-se a frente da linha da bola (destaque em amarelo), deixando um espaço absurdo entre eles e o gol. O avançado do Colorado do Centro Oeste aproveitou a falha terrível da defesa tricolor para garantir o triunfo.


Desde a saída de Doriva o time apresentou uma proposta diferente em cada partida (exceção ao primeiro jogo), o que demonstra a falta de tempo para o novo treinador implementar seu modo de jogar.

Defendo que um clube deve possuir um modelo de jogo, baseado em sua história, que o identifique em qualquer lugar do mundo. Esta filosofia funcionaria como o DNA da agremiação, facilitando a abordagem de perfil para o comando da equipe e formação de jogadores. 

O Bahia precisa vencer 16 partidas, das últimas 23, para obter o acesso a primeira divisão.

Sugiro que comece a regressiva!

Abraço Grande!

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br

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