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Bahia 3 x 0 CRB – Análise

Uma equipe organizada faz emergir o melhor de seus jogadores em cada momento do jogo. A organização gera uma reação em cadeia a qual todos os aspectos que envolvem uma partida funcionam como catalizadores do modo de jogar arquitetado pelo treinador.

Os comportamentos adotados em um sistema de jogo coletivo demandam tempo para serem adquiridos e postos à prova em competições nacionais, uma vez que para a maioria dos jogadores que atuam na série b do Brasileirão jogar nesses moldes torna-se um desafio a ser superado a cada treino, a cada peleja.

Os atletas do Bahia demonstram maturidade para entender uma forma de trabalho “diferente”, contudo promissora a colaborar com os bons resultados que estão por vir. Futebolistas como Luizinho e Hernane ainda estão no processo de transformação de uma maneira de pensar o futebol individual para um jogo coletivo. É perceptível que os dois estão a todo empenho para render o seu melhor, e não se enganem, os dois já são de extrema importância na caminhada Tricolor para a primeira divisão.

Vamos aos lances da partida.

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O Esquadrão de Aço evolui a passos largos. Alguns dos conceitos se repetirão ao longo da jornada, demonstrando o padrão tático que a equipe possui dentro de campo independente da plataforma tática (1-4-4-2 ou 1-4-3-3) utilizada.

Observem na primeira imagem a amplitude empregada para abrir espaços na defesa adversária (seta em preto). Quando a bola chega em João Paulo, lateral esquerdo Tricolor, o jogador Danilo Pires se projeta nas costas do lateral adversário (destaque em azul) e quase marca de cabeça. Notem que essa jogada é comumente realizada pelo time dirigido por Doriva.

No segundo quadro, notem no destaque em branco que o Bahia está em superioridade numérica no setor – 4vs3 e durante a partida observou-se sempre a chegada de no mínimo três jogadores dentro da grande área do CRB. Esse comportamento, especialmente em jogos dentro de Salvador, costumam surgir com bastante frequência o que nos leva a creditar esta atitude coletiva aos treinamentos e modelo de jogo do Tricolor.

3Na figura acima está a plena demonstração da evolução do time azul vermelho e branco. O losango em destaque foi chamado de diamante pelo mestre Johan Cruyff. Esta postura facilita a circulação da bola, pois o portador da redonda geralmente possui três linhas de passe seguras, fazendo com que o time que executa essa formação mantenha o jogo controlado através da posse de bola. As equipes treinadas pelo holandês sempre, ou quase sempre estavam a formar “diamantes”.

Foi a primeira vez que percebi esse tipo de aproximação desde o começo da competição, por isso foram raras as aparições desta forma geométrica na noite de sexta no estádio de Pituaçu.

4Como havia mencionado no post anterior sobre o Bahia (veja aqui: http://esportebaiano.com/goias-0-x-2-bahia-analise/) a equipe com o seu modo de jogar em casa tem por característica os chutes de média distância. Logo no início da partida Danilo Pires já estava a mostrar uma das peculiaridades do time de Doriva quando atua em seus domínios.

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O primeiro gol acontece em uma jogada onde a amplitude é realizada para retirar um jogador de ação da equipe adversária e quase a obrigação do Tricolor de Aço em colocar três jogadores dentro da área do oponente.

No primeiro quadro em vermelho está a linha defensiva esfacelada da equipe alagoana ocasionado pelo bom posicionamento do ataque Tricolor. As setas em azul são as indicações para os deslocamentos dos jogadores do Bahia a ressaltar Feijão como jogador surpresa na pequena área (destaque azul no segundo quadro) fruto do princípio de em organização ofensiva preencher a grande área do adversário com três atletas, ou mais.

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Percebam na primeira ilustração como a linha defensiva do CRB está novamente despedaçada em função da abertura dos dois atacantes do E.C. Bahia (olha a amplitude novamente!).

A referência individual dos zagueiros faz abrir um espaço valioso no meio da  linha de defesa (setas em preto) por onde Régis encontra Hernane que estava a ocupar o corredor esquerdo, aproveitando um conceito que faltou a equipe no primeiro tempo, mobilidade. A troca de posição constante, como nesse lance, propiciou ao Tricolor diversas possibilidades de finalização.

O Brocador em lindo desmarque de ruptura (o mesmo que procurar as costas da defesa do adversário), outro comportamento bastante comum da equipe de Doriva, recebe o passe e faz um belo gol (segunda imagem).

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O terceiro gol acontece quando o time de Alagoas encontra-se sem forças para reagir. No entanto, é importante observar a organização e os hábitos que o Tricolor permanece a preservar durante o campeonato.

Na gravura maior percebe-se o triângulo do balanço defensivo usualmente utilizado pelo time que pode alternar o vértice da figura geométrica com Feijão na frente e os dois zagueiros atrás do primeiro volante. A seta em preto indica mais uma vez a amplitude que o time possui quando em posse de bola, auxiliando a circulação da bola, expandir a defesa adversária e descobrir chances de finalização. Perceba que a linha adversária está com três jogadores bem afastados, enquanto um defensor Alvi-Rubro tenta pressionar o portador da bola concede novamente um espaço a ser agredido pelo jogador Tricolor (movimentação do jogador em destaque na seta azul e deslocamento da bola em destaque na seta amarela).

O atacante procura as costas da defesa recebe o passe e chuta de fora da área. Mais uma vez três jogadores do Esquadrão de Aço invadem a área adversária (círculo branco na figura à direita) e no rebote o Bahia faz o terceiro gol, consolidando a goleada.


A sistematização imposta pelo treinador Doriva começa a aparecer no campeonato, especialmente nos jogos em Salvador onde precisa vencer e convencer. Já são três jogos sem um único gol sofrido e oito gols marcados, números dispersos não fosse as boas apresentações do Bahia na competição.

Os sustos sofridos foram desnecessários, pois com o volume de jogo apresentado no primeiro tempo a marcar um gol logo no início da segunda etapa não precisaria utilizar a estratégia da transição ofensiva rápida, que mais uma vez funcionou. É imprescindível repensar essa estratégia para o próximo confronto, visto que será fundamental para a construção do próximo resultado em casa.

Em tempo, a compactação ofensiva deve ser constante, em alguns momentos de organização ofensiva os setores estiveram distantes.

Abraço Grande!

 

 

 

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br

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