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CAMPEONATO BAIANO – REALIDADE X DESAFIOS

Fotos: Felipe Oliveira

Em tempos de poderio econômico ditar as “regras” das quatro linhas, podemos perceber que a realidade do campeonato baiano de futebol vai contra os princípios de adequação financeira dos clubes grandes que os disputam.

É certo que os campeonatos estaduais são fundamentais em três linhas, sem hierarquia entre elas, quais sejam:

1 – sobrevivência dos pequenos clubes do interior

2 – manutenção das rivalidades estaduais e

3 – possibilidades de títulos dos grandes do estado.

Iniciaremos o primeiro ponto com a possibilidade de crescimento dos times do interior. E vem a primeira indagação: os clubes do interior não são tão responsáveis pela sua manutenção e crescimento quanto a federação e os times da capital? Não pode haver um sacrifício desmedido de Bahia e Vitória para manter clubes totalmente amadores, que não fazem qualquer esforço para melhora administrativa e consequentemente do futebol. É necessário que sejam criados mecanismos de cobrança pelos organizadores do campeonato, com base em medidores, para que tanto esforço não seja em vão (cabe saber se a FBF irá se expor a possíveis não reeleições de seus mandatários). Não é admissível que Bahia e Vitória tenham que expor sua folha de pagamento milionária a campos de várzea: o Campeonato Baiano não é o Intermunicipal, por mais que seja esse o entendimento de alguns clubes do interior.

Fotos: Felipe Oliveira

É cristalino que não se pode falar em futebol baiano sem pensar no BAxVi. Isto posto, a manutenção da rivalidade local depende diretamente do próprio campeonato estadual. Pensar num campeonato regional mais robusto, com clubes em diferentes divisões não é uma má ideia, mas, com certeza, enfraquecerá a rivalidade centenária entre Bahia e Vitória, em detrimento a difusão de outras rivalidades dispersas pelo Nordeste. Cabe aos partícipes do futebol baiano (clubes, federação e torcida) avaliarem até que ponto a desinstrumentalização do campeonato baiano, em prol de um campeonato do Nordeste será interessante para o crescimento estadual do nosso futebol. Apenas ressaltamos que não se enganem: não há união no futebol do nordeste, vide a debandada do Sport Clube de Recife, por entender não ser a sua prioridade o campeonato regional, bem como injusta a divisão das cotas.

É certo que os clubes do Norte/Nordeste, a partir da implementação dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, possuem remotas chances de títulos nacionais (e as remotas chances existem na Copa do Brasil, pois nos pontos corridos são nulas). Sabe-se, também, que a torcida é construída e mantida, em regra, pelos títulos conquistados e comemorados. Reduzir a chance de inúmeros clubes à disputa de um título por ano (Campeonato do Nordeste) pode manter a ótica dos anos da Globo RJ: crescimento da torcida da população do nordeste por clubes do eixo, visto que são esses, predominantemente, os grandes vencedores nacionais. Será mesmo que, por mais que o campeonato tenha todas as suas deficiências e faltas de qualidade, vale a pena abrir mão dos campeonatos estaduais e arriscar o predomínio  de sua torcida no próprio estado? Será que os patrocinadores pagariam o mesmo valor, mesmo com a visibilidade estadual reduzida? Fica a reflexão.

Ante o exposto, vemos um antagonismo que os dirigentes devem ser capazes de solucionar: valor econômico x valor esportivo do campeonato baiano. Sabemos que a realidade é bem ruim, mas não sabemos se abrir mão da nossa principal fonte de títulos fará as coisas melhorarem. Não há torcida sem troféus!

Joe Fraga (Joeraldo dos Santos Fraga Filho)

 

Fotos: Felipe Oliveira

 

Joe Fraga
Advogado, funcionário público, MBA em Gestão do Serviço Público com ênfase em Planos e Projetos, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais e colunista do Esporte Baiano.

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