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O lado de uma mesma moeda

Existe um fato que não tem como negar, Bahia e Vitória são os dois grandes clubes do Estado. No entanto, não é preciso utilizar lunetas para enxergar que no Nordeste estamos atrás ou no mesmo patamar de Sport, Ceará, Santa Cruz e Náutico, por exemplo. O retorno da Copa do Nordeste, com o apoio do Esporte Interativo, alavancou boa parte dos clubes da região. Pois, além da representatividade financeira, as agremiações conseguiram alimentar o calendário para adiante dos estaduais.

Quando ampliamos nosso olhar para o restante do país percebe-se, nessa escala, que somos pequenos. Apesar da história, títulos e uma estrutura razoável, competir com as cifras das equipes do sul, é desumano. O diferencial competitivo para os grandes no Estado da Bahia deve estar centrado, dentre outras coisas, na eficácia do planejamento, em boas práticas de governança corporativa, excelência na formação de jogadores e, talvez essa última sugestão seja o “gol de letra” para sairmos da periferia do futebol, uma forte parceria entre o Leão da Barra e o Tricolor de Aço.

Atualmente cada clube possui, em posições relacionadas as questões de marketing, dois experientes e competentes gaúchos. No Bahia, o responsável pelo setor é o renomado Jorge Avancini que trabalhou no Internacional. Pelo lado do Vitória, o grande Paulo César Verardi, que trabalhou no Grêmio. A fuga do calabouço do futebol nacional talvez passe pelas estratégias que os dois possam arquitetar em conjunto. O pensamento provinciano ainda permeia muitas mentes em nosso Estado, onde a rivalidade ultrapassa a arquibancada se envolve com a administração dos clubes. Embora possuam públicos e situações diferentes, poderia haver uma sinergia entre rubro negros e tricolores em todas as vertentes, desde o campo até a diretoria.

Nesse sentido, ações promocionais e de marketing poderiam ser elaboradas de modo a aglutinar os dois lados, valores de patrocínio e apoios discutidos em prol da máxima valorização, acordos para aumentar a renda e a ocupação nos estádios, planos simultâneos para expansão das marcas, etc. Tudo isso auxiliaria a formatar um futebol baiano mais competitivo no cenário nacional, que aliado a mudanças no campo de jogo como: viabilizar melhores condições de captação de atletas de forma conjunta, troca de informações entre os profissionais envolvidos, melhoria do treinamento, etc, haveria uma transformação.

Por falar em campo, teve jogo!

Bahia e Vitória jogaram no sábado e por isso separei apenas alguns lances das duas partidas para análise.

Vamos aos lances!


 

1

O time dirigido por Wagner Mancini fez mais uma partida tétrica, demonstrando uma vez mais que o bom futebol da equipe somente apareceu em raros momentos durante a temporada.

No lance do gol do Figueirense, não houve apenas um culpado como foi noticiado logo após a partida, uma vez que a falha novamente foi coletiva. 

Observem os círculos branco em destaque, a evidenciar a referência individual de marcação impetrada pelo rubro negro baiano. Essa marcação, especialmente no que tange a última linha defensiva, impossibilita as coberturas defensivas. Percebam que Euller, Vítor Ramos, Diego Renan e Marinho (todos em destaque branco), estão encaixados nos adversários, razão pela qual entre o lateral esquerdo e o número 3 do Vitória, há um espaço imenso (constatem em preto a má formação da linha defensiva do Leão) por onde Carlos Alberto acertou um belo passe e deixou o avançado do Figueira de frente para o gol.

Notem a quantidade de elementos influenciadores para o equívoco cometido pelo Leão. Será que a culpa é apenas de um jogador?

Ainda tem mais!

2

Verifiquem no destaque em “X” vermelho, o espaço entre linhas oceânico no setor de meio campo do Vitória. Em função da referência individual de marcação, Vander (destaque em preto no canto da imagem) e Marinho não ocuparam o espaço a frente da última linha, a ficar “encaixados” nos seus adversários correspondentes. Para piorar, um volante do time baiano sai na contenção e todo o meio acompanha (destaque em preto), mas a linha defensiva permanece intacta a criar o espaço entre linhas que poderia ser explorado pelo time catarinense. Para solucionar este problema momentaneamente, a contenção deveria ser feita pelo avançado (destaque em branco) e o três jogadores que compõem o meio de campo poderiam se posicionar a frente dos defensores, como indicado nas setas pretas.

O jogo zonal urge para que o Vitória possa encontrar o caminho do triunfo!

Vamos para o jogo do Bahia!

1

O Tricolor Baiano apresentou um pouco de organização, mas com um futebol pobre, carente treinamento e volume de jogo, tirou o bragantino da zona de rebaixamento.

O time dirigido por Guto Ferreira esteve a confundir durante todo o primeiro tempo, velocidade com, como diria o amigo Ramon, “afobação”. É perceptível que o comandante Tricolor baseia o seu modo de jogar em ataques rápidos, com passes verticais, até chegar a área do adversário. Porém, os jogadores parecem estar se adaptando a esta forma de jogo.

A falta de volume ficou evidente durante a partida. Na figura acima, mesmo com a organização defensiva do Bragantino muito mal feita, observem uma situação de 7vs4 onde o Tricolor de Aço, por incrível que pareça, levaria vantagem, não fosse a “afobação” do lateral direito do Bahia.

2

No segundo tempo, o Bahia passou a chegar com mais frequência no ataque, mas não conseguia progredir de modo a finalizar contra o gol de Felipe. A imagem acima mostra o único lance de perigo criado pelo time baiano na segunda etapa.

Vejam que, mesmo com a defesa do Bragantino muito desorganizada e com diversas possibilidades de passe, como indicado nas duas setas azuis na imagem e no destaque do círculo azul, embaixo do quadro, Cajá tomou a decisão de arrematar para o gol, conseguindo apenas um escanteio para o Tricolor.

Constatem ainda, no destaque em “X”, como o Esquadrão poderia progredir em bloco no campo de jogo, o que raramente aconteceu durante o certame.


Duas derrotas dignas de reflexão acerca do futebol baiano.

O Bahia cada vez mais próximo da sua permanência na série B, enquanto o Vitória aproxima-se a passos largos para o descenso. Os dois mais do Estado na série B diminui a popularidade do esporte na região, contribuindo para a depreciação de toda a cadeia produtiva envolvida com o esporte bretão.

É necessário uma parceria entre o time de Itinga e o de Canabrava para a salvação do futebol baiano.

Fica o desejo da rivalidade permanecer com os torcedores e uma administração cada vez mais profissional.

Abraço Grande!

fonte: imagens retiradas da internet.

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br
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