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O modo de jogar do Bahia não depende de quem esteja em campo – Rodízio

O rodízio feito pelo treinador Guto Ferreira no início desta temporada virou pauta por toda a mídia, conversa de amigos, grupos de whatsapp, etc. Alguns concordam, outros discordam, enquanto que a convicção do técnico permanece intacta, seguindo o planejamento.

Esta prática é largamente utilizada em diversas equipes pelo mundo que dispõem de calendários cada vez mais apertados, menos tempo de treinamento e recuperação de seus jogadores. Com a finalidade de preservar o atleta, as comissões têm aderido as trocas constantes, especialmente em início de temporada.

“Isso prejudica o entrosamento!”  “O time precisa jogar junto pra evoluir!”  blá, blá blá. 

As frases acima são lendas criadas a partir de um modelo de treino antigo, porém ainda utilizado por alguns treinadores. Este modo de treinar preconiza a segmentação das ditas vertentes do futebol (física, técnica, tática e psicológica), acreditando que a junção desses aspectos culminará em atingir um nível de excelência. Os especialistas o chamam de treino analítico, baseado em um pensamento cartesiano que reduz as partes… Mas essa conversa é para outro post.

O treinamento sistêmico, por outro lado, indica um treino onde se trabalhe com todas as vertentes em conjunto, afim de superar os mitos produzidos e sustentados por muitos há muito tempo. Portanto, a comissão não perde um dia a fazer musculação,  a correr na praia, ou a subir montanhas, ela sustenta sua metodologia na maneira de jogar pretendida, acelerando o processo de ensino/aprendizagem, e como consequência, os comportamentos individuais e coletivos são adquiridos em uma maior velocidade.  Este pensamento surge a partir do conceito de entropia, mas isso também é prosa para outro texto.

Não sei qual a metodologia de treino adotada pelo comandante do Esquadrão de Aço, mas a julgar pela forma de jogar bem definida, ações individuais e coletivas demonstradas durante os jogos, além dos conceitos apresentados, o Bahia possui um modelo de jogo.

Consegui compilar algumas imagens que demonstram  procedimentos adotados pela equipe Tricolor.


 

duas linhas de 4O Bahia demonstrou em todos os jogos até o momento que em fase de organização defensiva atuará com duas linhas de 4 jogadores. O meia central e o centroavante mais a frente, como na figura acima. Ainda neste momento do jogo, a pressão ao portador da bola será iniciada, frequentemente a partir da intermediária adversária, como ilustrado na imagem. Percebe-se uma compactação defensiva bem executada, centroavante ou meia sempre a direcionar as jogadas do oponente para os corredores laterais, neutralizando as jogadas pelo corredor central.  

trans. of.2 Trans. of

Verifica-se que uma fase (organização defensiva) não está desconectada das outras, neste caso, da Transição Ofensiva.

A partir do momento que a bola é roubada, a equipe geralmente consegue sair em ataque rápido, retirando a bola da zona de pressão, ora em condução, ora através de passes verticais. Notem que os dois momentos acima, o Bahia encontra-se em superioridade numérica e em ambos a posse foi recuperada no corredor lateral, significa a comprovação que modo de jogar da equipe está sendo arquitetado de forma homogênea.

Válido ressaltar que são imagens de dois jogos diferentes, onde foram encontrados os mesmos comportamentos. Posso garantir que em outras partidas ocorreram atitudes semelhantes.

A Transição Ofensiva forte, com passes verticais, superioridade numérica, introduzindo um ataque rápido de qualidade será a tônica da equipe de Guto durante a temporada, mas ainda carece de treinamento, principalmente a conclusão do ataque rápido no terço final do campo.

movimenração meiaInteressante verificar o funcionamento do meia central nessa equipe. Independente do jogador que esteja a atuar naquele setor, parece ser a estrutura com maior mobilidade de todo o time. Movimenta-se a gerar espaço para os volantes, laterais e meias, além de frequentar a grande área, evidenciando um comportamento planejado. No círculo em azul na ilustração, observa-se a depender do adversário, os meias que jogam pelos corredores laterais, juntam-se ao centroavante a compor um ataque de três. No entanto, os comportamentos mais constantes destes últimos são de atacar o espaço a sua frente, saindo sempre de uma posição de “não estar” para “estar”.

dentro e foraO lançamento em diagonal, como o da imagem, ainda não é constante no Tricolor Baiano, porém a mobilidade, a troca de posição no “sub-setor” lateral/meia é lugar comum neste início de temporada. Na imagem, o lateral corre em direção a linha de fundo e cruza para Diego Rosa marcar. Infelizmente, não encontrei outra ilustração para demonstrar a troca de posição entre o meia e o lateral.


O trabalho do Guto é elogiável. Suas ideias de jogo estão sendo implementadas a desenvolver o modo de jogar de maneira significativa.

Espero que as lendas, mitos e paradigmas tais como “tem que jogar junto para entrosar”, “rodízio deixa o jogador sem ritmo”, “atleta Y precisa de ritmo”, etc, sejam superados através do conhecimento e da ciência aplicada no futebol. Ultrapassamos a era dos “achismos”, onde o público era refém da informação sem possibilidades de interação e acesso ao conteúdo.

Publiquei no twitter @diogaum essa semana: quando se treina o jogo, entrosamento é garantido no treinamento. 

Abraço Grande!

Fonte das figuras: imagens retiradas da internet. 

 

 

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br
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