Você está aqui ->
Home > Na Quadra e no Campo > Futebol > E.C. Vitória > O problema do Vitória é o “padrão tático”.

O problema do Vitória é o “padrão tático”.

Há uma tendência numérica em toda conversa de futebol no Brasil, seja no boteco, em um jogo com os amigos, nas coletivas de imprensa e até mesmo nos programas esportivos da TV. É o famoso “esquema tático”, “padrão de jogo”, das equipes analisadas pelos fãs do esporte bretão.

Poderia falar da história da evolução dos sistemas táticos, mas vou deixar o link de uma resenha do excelente livro Pirâmide Invertida, feita pelo analista Eduardo Cecconi https://eduardocecconi.wordpress.com/2016/04/12/inverting-the-pyramid/ . Ao final do texto colocarei o link desta obra para os que desejarem adquirir. No entanto, focarei nas duas plataformas táticas, 4-4-2 e 4-2-3-1 utilizadas pelo Vitória de Argel.

Incrível como esquecem sempre o goleiro nas numerações dos “sistemas de jogo”. Talvez por isso, dentre outras motivações, os arqueiros demoraram tanto tempo para participar do jogo em organização ofensiva. Com certeza um estudo mais aprofundado sobre esta questão pode ser de grande relevância.

Como diria Guardiola, “São apenas números!”

_______________________________________________________________________________

O problema da equipe dirigida por Argel é o foco nos números! 

Sim, o Vitória possui um “esquema tático” (utilizarei o termo, plataforma tática) bem definido. Quando a equipe está com a posse da bola, em organização ofensiva, ela se comporta em 1-4-2-3-1, como demonstrado na figura abaixo:

Organização ofensiva: 1-4-2-3-1

Em organização defensiva o Rubro Negro baiano comporta-se em 1-4-4-2.

OBS: São duas linhas de 4 jogadores + uma linha de dois jogadores.

Infelizmente (1) não consegui imagem alguma para colocar. 

O seu balanço defensivo (como a equipe está preparada para uma eventual perda da posse de bola) está de acordo com a seguinte ilustração:

Balanço Defensivo formado sempre por um triângulo com um dos volantes a fazer o vértice, o lateral do corredor contrário a posse da bola, a fechar para o centro e um dos volantes, “quando dá” apoia o ataque, quando “não dá”, participa do balanço defensivo.

Infelizmente (2), não consegui encontrar imagens para demonstrar a configuração da equipe em transição ofensiva e defensiva. No entanto, posso afirmar estes dois momentos do jogo não possuem comportamentos adquiridos pelos jogadores, ainda não existe um hábito em suas movimentações. Ops! Hábito? Comportamento? Já estou a retirar o post do mundo da numerologia e colocá-lo em um ambiente dos conceitos e princípios.

Enfim, chegamos ao calcanhar do Argel. Apesar de um “padrão de jogo” estabelecido, os setores não se articulam, os princípios de jogo são pobres e as táticas coletivas e individuais são problemáticas. Então, como assim a equipe do Vitória tem um “esquema tático” nítido? Ao julgarmos pela luz da numerologia, onde os algarismos protagonizam a história, estamos em um cenário perfeito. Por outro lado, a compreensão do jogo somente a partir desta perspectiva o empobrece, limitando a espasmos de jogadas individuais. Alguém lembra do Marinho? Será que o atacante atingiria uma constância ao longo de toda a competição?

Deste modo, percebam como as ações coletivas da equipe do Vitória estão equivocadas, em sua maioria.

O Vitória em organização ofensiva. O lateral esquerdo estar por dentro enquanto o meia esquerda permanece no mesmo corredor que o primeiro. Observem que, se o atleta em destaque estivesse no “X”, o princípio de jogo da amplitude poderia ser contemplado, melhorando a progressão do time no campo, circulação da bola da equipe, além de criar uma linha de passe.

Na imagem abaixo, percebam, segundos depois, como além de não criar uma linha de passe, os jogadores posicionam-se de modo a bloquear uma linha de passe.

O corredor em profundidade poderia estar ocupado pelo meia esquerda, mas a movimentação foi no sentido contrário, ou seja, dois jogadores da mesma equipe fizeram uma movimentação para o mesmo espaço ao mesmo tempo. O popular, “se marcando”.

Algo frequente na equipe do Vitória é a “caça ao portador da bola”, efetuada pelos zagueiros. Válido ressaltar que essa é uma prática de todos os defensores rubro negros.

No círculo vermelho está o zagueiro Vitória na caça ao jogador adversário. Observem que o passe é colocado, justamente onde o defensor deveria estar ( “X” preto). Somente a título de curiosidade, onde era para haver quatro jogadores, tinha apenas um!

A transição ofensiva Rubro Negra tenta utilizar passes verticais para sair da zona de pressão. Porém, como a compactação defensiva não é bem executada, a equipe contra ataca seus adversários com poucos jogadores, o que dificulta a finalização ao alvo com qualidade.

Um dos princípios ofensivos dos esportes coletivos de ação reside na criação de superioridade numérica. Observem a figura e concluam quanto ao mérito deste conceito.

_______________________________________________________________________________

Acredito que Argel precisa seguir suas convicções. A carência de princípios de jogo esgota diversas possibilidades de sucesso do Leão da Barra. A efetividade do jogo posicional, este que o comandante do Vitória tenta aplicar, passa por conceitos bem realizados pela equipe. O jogo direto, também necessita de ideias bem executadas, bons treinamentos, todos os preceitos que o jogo posicional, a diferença reside na crença do treinador, no caso do técnico rubro negro, pelo seu histórico, parece ser adepto da segunda opção.

O Vitória precisa se impor nas competições estaduais e regionais, mas há maneiras de manter o controle da partida, utilizando o jogo direto.

Ciente das convicções do Argel, a mudança da tentativa de um ataque posicional para um ataque rápido, velocidade na transição ofensiva, construção de apoios para a progressão no campo, a fim de elevar a qualidade de jogo da equipe Rubro Negra, é imperativo.

Abraço Grande!

link para a compra do livro, Pirâmide Invertida. http://editoragrandearea.lojaintegrada.com.br/ 

Fonte: imagens retiradas da internet. 

 

 

 

 

 

 

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br

Deixe uma resposta

quinze − 14 =

Top