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Paraná 2 x 0 Bahia – Análise

Pronto! O Bahia perdeu a primeira partida em 2017. Como não poderia deixar de ser diferente, o revés chegou fora dos domínios do Clube.

Há muita diferença entre jogar fora ou dentro de casa? Este é mais um mito criado por aqueles que necessitam vender o futebol. Explico. Em condições normais de campo, temperatura, logística, estrutura, etc, jogar com a sua torcida ou longe dela influencia muito pouco no resultado da performance na cancha. Ok! Esta é a teoria. A realidade é que essa crença está tão enraizada na cabeça do torcedor, treinador, dirigente brasileiro que ultrapassa o limite da estatística e atua de maneira significativa na forma de jogar de diversas equipes ao redor do Brasil. Precisamos superar este paradigma, urgente! 


Qual a real importância da torcida que frequenta o estádio com o intuito de apenas vencer? Funciona da seguinte maneira: Quando perde, a culpa é da diretoria, jogadores ou treinadores. Por outro lado, quando alcança o resultado positivo, os aficionados deram aquela vitória ao time, ou seja, torcedor nunca perde, mas o clube… A massa deve, ou deveria ir aos estádios com a intenção de participar, de influenciar no resultado da partida e ao triunfar, que os louros recaiam sobre todos.

Porém, diante do baque, é fundamental assumir que o apoio não foi suficiente,  que poderia ter gritado mais, ajudado mais, interferido mais. Afinal, torcer para um time não indica apenas vencer ou fazer parte dele. Não ser omisso, assumir a responsabilidade também na derrota, deve estar incluso.

Ufa!

Vamos ao jogo.


O Esquadrão de Aço não esteve em noite inspirada. Algumas opções do treinador foram equivocadas, mas não definiram a eliminação do Clube da competição. Pelo pobre futebol apresentado diante do Paraná, a mudança de um ou dois jogadores não redefiniria o resultado da partida

As principais características do Bahia não funcionaram, tais como: transição ofensiva (retirar a bola da zona de pressão com passes verticais em profundidade, transição defensiva (rápida reação após a perda), recomposição e compactação defensiva.

O Paraná impôs seu jogo, obrigando a equipe de Guto Ferreira a ficar com a bola. Um time que baseia seu jogo em ataque rápido, geralmente, possui dificuldades posicionais ao reter a posse, vide Régis, sem muita mobilidade,  esteve “encaixotado” pela marcação do Tricolor Paranaense.

Os paranistas fizeram um bom jogo ontem a noite. Observem na sequência dos lances abaixo, algo frequente durante a partida, quando em organização defensiva, o time comandado por Wagner Lopes esteve quase sempre em superioridade numérica.

As transições ofensivas, concluídas em ataque rápido, funcionavam muito bem para o time do Paraná. Os volantes baianos eram facilmente ultrapassados pelos avançados adversários, destruindo o balanço defensivo do Esquadrão.

Lance que o Bahia encontra-se em inferioridade numérica, durante um contra ataque dos paranaenses.  Reparem no “X” da imagem, deveria estar o volante tricolor, em destaque no círculo vermelho.
A equipe do Paraná tomou a decisão errada. Afunilou o campo em detrimento de abri-lo (espaço imenso destacado pelo “X”), o que facilitou a boa defesa de Jean. Uma vez que estavam em superioridade, utilizar a amplitude poderia ser fatal para o Bahia.

O Tricolor da Boa Terra sofreria o primeiro gol, após um ataque rápido, executado com eficiência pelos atletas do Paraná.

Atentem mais uma vez, para uma situação complicada com Bahia. Igualdade numérica no destaque em vermelho, enquanto os dois volantes, mal posicionados, comprometiam o balanço defensivo.
A continuação do lance demonstra que os volantes não conseguiram recompor e após uma bela ultrapassagem do atacante paranista, ele chega com excelentes condições de finalização. Eduardo precisou fazer, digamos, a “sobrecobertura” para evitar o gol adversário. No entanto, após escanteio cobrado, saiu o primeiro gol do Paraná.

A transição defensiva esteve péssima no jogo de ontem a noite. Poucos jogadores reagiam após a perda bola a fim de recuperá-la, o que gerava muitos ataques rápidos do oponente.

Há dois jogadores muito próximos ao adversário, mas eles não o pressionam em tentativa de retomar a posse da bola, facilitando a ótima saída em ataque do rápido do Tricolor do Paraná.
Na sequência do lance anterior, há novamente uma superioridade numérica da equipe da casa – 3vs2. Mas, nessas situações é recomendável para quem se encontra em inferioridade, temporizar, retardar a jogada adversária, para que seus companheiros possam recompor e assim iniciar a organização defensiva. No entanto, em destaque no canto debaixo da figura, o defensor do Bahia prefere agredir o jogador com a bola, sendo driblado facilmente pelo oponente, o que gerou mais uma chance clara para o adversário.

Lembra da temporização, retardar o jogo para a recomposição dos companheiros? Ela aconteceu! Confira na sequencia dos quadros abaixo.

Reparem na seta preta, como os setores estavam longe ontem a noite, geralmente, o Bahia consegue recompor de modo eficaz. Eduardo retardou a jogada do adversário durante SETE SEGUNDOS, 7 SEGUNDOS, 7”(destaque no círculo branco), mas não foi suficiente para os jogadores do Bahia efetuarem a recomposição. Acreditem!  Este tempo no futebol atual é uma eternidade. Armero estava atrasado na jogada, assim como o restante da equipe, deveria recompor a linha como indicado no “X”.
Nos círculos azuis, percebam a igualdade numérica dentro da área do Bahia. Situação que deve ser evitada constantemente. Apesar dos sete segundos de retardamento da jogada, observem que nenhum jogador do Tricolor de Aço conseguiu recompor.
O cruzamento acontece na sequência para o cabeceio na trave do avançado do Paraná. O defensor do Bahia que acompanhou o atacante, poderia ter ficado na linha do último defensor, certamente o avançado entraria em impedimento. Insisto, foram SETE SEGUNDOS para o adversário pensar e o time baiano não conseguiu evitar o gol.

Não acredito na demissão do Guto, tampouco acho necessária, pois o treinador faz um bom trabalho a frente do Esquadrão. Não falo pelos números, mas o modo de jogar do Bahia, concorde ou discorde, é visível. Quero dizer, que ganhando ou perdendo, o time apresenta os mesmos princípios e conceitos que demoram um pouco para se tornarem comportamentos, hábitos. Por isso, quando estes não são aplicados com sucesso as derrotas são inevitáveis, como a diante do Paraná.

O mundo não acabou na virada do milênio, não será por causa de uma eliminação na Copa do Brasil que todo um planejamento esteja fadado a ruínas.

Abraço Grande!

Fonte: Imagens retiradas da internet

Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br
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