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Torcedor do Bahia parece que não mais precisa de alegria…

TEXTO: JOCA NERI . ADM DO GT GALERA TRICOLOR.

Chego à conclusão que que torcedor do Bahia não mais precisa de alegria. Este se tornou egocêntrico, impaciente, irritadiço e negativo. Possui baixa autoestima. Antes, comia farinha e arrotava caviar. Pensa que já conseguiu tudo e que, a partir de agora, com o ego inflamado, todo o resto passa a ser obrigação. Não curte mais os momentos de prazer. O máximo que alcança é uma tênue paz, por passageira.

Pois é, deixaram os “torcedores” de curtir os triunfos, que passaram a se alimentar nocivamente dos insucessos. Quando perde, o inferno aparece. Quando vence, apenas a “paz” reina. Ficam mudos, quietos, nas redes sociais e até de grupos saem por não suportar algumas parcas manifestações de alegria, pois esta deveria ficar esquecida em um canto qualquer do coração.

Não há mais comemoração.

É como se fosse tão somente uma obrigação cumprida, ainda assim com alguma imperfeição ou até com muitos defeitos.

Não há mais prazer.

Esse tipo de sentimento se compara àquele quando alguém – que nos é muito querido – sofre algum acidente ou infortúnio, todavia consegue sair ileso, são e salvo. Enquanto alguns se remoem de ódio pelo susto, já outros, apesar do susto, a primeira coisa que fazem é comemorar o estar viva a pessoa a quem tanto amam, é se sentir alegre e feliz apenas por isso. É este grupo ao qual me filio. O resto, depois resolvemos, depois consertamos.

Em suma, ser Bahia, hoje, não é melhor que dormir e comer, pois, nesses exemplos, sentimos prazer. Ser Bahia hoje é idêntico a trabalhar, que só se sente alegria no começo ou recomeço após longo período de inatividade provocada pelo desemprego. Quem diz que ama trabalhar é louco ou infeliz que busca preencher sua frustração no trabalho. Amo apenas ter condições físicas, psíquicas e intelectuais para exercer meu trabalho com dedicação e decência. Se não fosse assim, não amariam tanto as férias.

Assim, torcer para o Bahia deixou de ser uma opção de alegria, uma ode ao amor, mas de tristeza, de ira, de revolta.

Esse sentimento anda tão impregnado que nem mais sinto vontade de compartilhar a alegria de um sucesso com os amigos, quer seja grande, quer pequeno o sucesso. Guardo-a para mim. É mais seguro. No entanto não me permito, igualmente, absorver o ódio, a ira, a desesperança que promulgam. Sinto-me imune. Vacino-me com a frequência necessária.

A única maneira, portanto, de curtir uma bela vitória não é solidária, mas solitariamente. Ah! Recuso-me, aqui, a usar o termo triunfo. O rival não me incomoda. O fogo “amigo” me incomoda muito mais.

Pois bem, embora esteja certo de que isso pouco importará e que não vá surtir nenhum efeito positivo nesse novo torcedor, vou quebrar a promessa que acabei de fazer ( curtir solitariamente) para lhes dizer bem alto e em bom som:

FIQUEI FELIZ PRA CARALHO, ONTEM!

E estou curtindo muito o resultado tão contundente e que me encheu de alegria. Bem, se você não ficou, infortunadamente nada posso fazer. Ao menos, curta sua paz. Eu curto a alegria, paz, esperança…

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