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O primeiro clássico não deixará saudades – Ba-Vi

O primeiro Ba-Vi do ano e inédito, depois de algum tempo, com as duas equipes na primeira divisão nacional, nos proporcionou um espetáculo ruim dentro de campo e fora do estádio.

Vamos ao jogo! 

O futebol é essencialmente um jogo de transição. Há dois conceitos que explicam muito bem esta relação do esporte bretão com a perda e o ganho da bola. Afinal, não existe nada mais natural neste esporte do que perder a bola. Seja ela roubada pelo adversário, em uma finalização para o goleiro ou tiro de meta. E, mesmo quando faz o gol, o time detentor da pelota à “entrega” para o oponente reiniciar a partida do centro do meio campo.

transição relativa explica o momento em que uma equipe assim que recupera a redonda, logo a relega ao adversário. É o famoso bate e rebate. A transição absoluta é aquela quando a equipe consegue manter a posse do móbil por mais tempo, circulando-o, geralmente finaliza a jogada de maneira intencional com pouca intervenção do adversário.

A título de curiosidade, ocorrem em média cerca de 300 transições durante um jogo de futebol. Sejam elas relativas e/ou absolutas.

No Ba-Vi as transições relativas (bate-rebate)  ditaram a partida, o que deixou o espetáculo pobre e pouco aprazível.  As discussões intermináveis entre os jogadores, os longos períodos para cobranças de falta e conceitos de jogo muito mal executados, contribuíram para um clássico onde os argumentos para Vitória e Bahia ficaram no quesito vontade, ou seja, no psicológico, no sobrenatural. Contudo, algumas escolhas dos treinadores influenciaram no resultado da partida. 

Vamos aos lances! 

Como falei no post anterior as duas equipes possuem muita dificuldade na circulação da bola. O Bahia tentou sem sucesso manter a posse da pelota, enquanto o Vitória permaneceu em seu estilo de jogo de lançamentos, ganhos de segunda bola e investimento nas bolas paradas.

O time de Guto pressionava a saída de bola do adversário. Não consegui entender esta atitude, uma vez que o Leão da Barra apoia seu jogo em lançamentos longos, invariavelmente o “chutão” iria surgir do lado Rubro Negro, o pressionando ou não. Portanto, não posso afirmar que a marcação alta funcionou, por que o Vitória manteve seu jogo, enquanto esta subida da equipe era mal executada pelo Bahia. Os atacantes e meio campistas subiam no terreno, mas a linha defensiva do Esquadrão permanecia intacta, sem avançar no campo, o que facilitou diversas jogadas do time de Argel, dessa forma saiu o primeiro gol.

Mas, antes do primeiro gol o Bahia conseguiu chegar em zona de finalização uma vez.

Após boa trama do meio Tricolor e excelente ultrapassagem de Eduardo, a bola cruza toda a área, mas ninguém consegue finalizar.

Depois do lance acima, o Bahia chegava sem perigo. A tentativa de controlar o jogo através da posse da bola esbarrava nos erros de passe e falta de mobilidade da equipe.

O Vitória apostava em lançamentos longos a partir de sua defesa, o que deixava seu time espaçado no campo. O Bahia colaborava para as investidas do oponente e ao invés de diminuir, aumentava o espaço efetivo de jogo do Leão.

Percebam no destaque azul, a distância que as duas equipes mantiveram seus jogadores. No entanto, o Vitória por está com a posse, possui um campo maior para atacar e ganhar a segunda bola. Percebam ainda que o jogo direto é a forma de jogar do Leão da Barra. Não há amplitude de jogo em momento algum do jogo.

Observem abaixo a sequência do lance:

A linha defensiva não acompanhava a subida da marcação e onde era para haver quatro jogadores encontrava-se apenas um. Observem que Armero acompanha o jogador individualmente, gerando desgaste e um espaço as suas costas, pois o adversário o “guiou” para longe da sua posição, o que pode ser visto na figura abaixo.

 

Gabriel Xavier chega facilmente no fundo e como a defesa do Bahia estava desorganizada, consegue o cruzamento para o companheiro que invadia o espaço vazio dentro da área Tricolor (círculo vermelho). No destaque em azul, o único jogador do time mandante na zona mais perigosa do campo, que fora “guiado” pelo avançado do Vitória para criar um espaço valioso as suas costas.

 

O jogador que invadiu a área consegue a finalização (seta amarela), enquanto outro atleta do Vitória invadirá o mesmo espaço para pegar o rebote, evidenciando o jogo direto e saída rápida preconizado por Argel.

Na próxima imagem, há uma explicação matemática para a falha do goleiro Anderson no lance do gol do Vitória. Apesar das boas defesas, este equívoco é nítido de nota.

Percebam na ilustração que há uma formação de uma ângulo entre a bola e as duas traves do gol (linhas brancas). Observem ainda a linha tracejada em laranja forma o que os matemáticos chamam de bissetriz.

De acordo com o site somatematica.com.br o conceito da Bissetriz de um ângulo é a semi-reta com origem no vértice desse ângulo e que o divide em dois outros ângulos congruentes. Portanto, a bola seria o vértice e a linha tracejada em laranja dividiria os ângulos congruentes. Desse modo, o melhor posicionamento do goleiro em qualquer situação de jogo é estar com os pés em cima da linha da Bissetriz. Percebam na imagem, como o goleiro do Bahia posiciona-se um pouco afastado desta, colocando em risco a proteção da sua meta.

Talvez se o Anderson estivesse com os pés em cima da linha bissetriz poderia ter evitado o gol do Vitória.

Antes do lance do primeiro gol, o Vitória ensaiava investidas por aquele setor.

Observem no primeiro quadro, como há apenas dois jogadores onde deveria haver quatro do Bahia. No destaque em azul, embaixo da imagem, o lateral esquerdo Tricolor já testava oferecer espaços aos avançados do Vitória. No destaque em vermelho, o Leão da Barra chegava com um bom número de jogadores ao ataque.

No segundo quadro, o time Rubro Negro consegue igualdade numérica no coração Tricolor e André Lima quase marca. Excelente contra ataque da equipe de Argel, após uma pressão alta mal executada pelo Bahia.

Bola parada! Muito mérito para o Argel no segundo gol do Vitória.

Os jogadores do Vitória atraem os Tricolores para o primeiro pau, oferecendo um espaço valoroso para a infiltração perfeita de Kanu na entrada da área.

A jogada acima foi ensaiada em treinamentos, pois o movimento da equipe visou favorecer seu melhor jogador no fundamento cabeceio, Kanu.

Guto Ferreira, opta por uma marcação mista em bola parada, mas neste lance, percebam que a referência fora individual, razão pela qual os jogadores do Vitória guiaram os oponentes a facilitar o cabeceio do seu zagueiro.

O Bahia não teve forças para buscar o empate após a expulsão do Tiago. O jogo que já era ruim, ficou péssimo, com o Vitória tentando circular a bola e chegar ao gol, mas sem objetividade. O Tricolor tímido na pressão ao portador da bola e com transições ofensivas lentas facilitou a manutenção do resultado no placar.


Apesar do triunfo do Vitória, não há o que comemorar. A equipe continua a apresentar um futebol pobre, baseado em lançamentos e ganhos de segunda bola. É muito pouco para um clube que disputará a série A do campeonato brasileiro. 

Esta forma de jogar possui data de validade. É preciso melhorar muito para brigar entre os 10 da competição Nacional. Talvez a forma de pensar o jogo de Argel, se adeque melhor contra clubes do mesmo patamar que o Vitória.

A equipe do Bahia possui um modo de jogar consistente, mas em partidas com equipes de melhor qualidade não consegue manter sua forma de atuar e acumula derrotas nestes certames. É muito pouco para um clube que disputará a série A do campeonato brasileiro. 

No Bahia também se aplica a mesma noção de jogo do seu maior rival. Por entender sua fragilidade diante dos gigantes da série A, o Esquadrão de Aço não deve propor o jogo, isso pode auxiliar o clube a se manter na elite do futebol brasileiro.

Por fim, gostaria de lamentar diversas ocorrências de brigas em torno do estádio. O problema da violência urbana em nossa sociedade invadiu o esporte mais popular do país, reverberando o pior lado do ser humano.

Fica o desejo de melhores condições de igualdade para que todos possam usufruir de maneira saudável os espaços esportivos da cidade de Salvador.

obs: Onde lê-se transição relativa e absoluta, leia-se posse de bola relativa e absoluta.

Abraço Grande!

Fontes: http://www.somatematica.com.br/fundam/angulos/angulos11.php ; imagens retiradas da internet 
Diogo Silva
Graduado em Comunicação Social (FCS) - Graduado em Educação Física (UFBA) - Especialista em Gestão Esportiva (F2J) - Treinador de Futebol - Treinador Licença C - CBF. @diogaum diogopereirasilva@yahoo.com.br

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